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Urgências e Emergências · Médicos e profissionais

Principais Causas de Urgência em Pediatria

Abordagem inicial das emergências mais frequentes

Material de apoio ao ensino e à prática; não substitui as diretrizes vigentes nem o julgamento clínico. As condutas devem ser individualizadas.

1. Emergências Respiratórias — 25 a 33% (Brasil) |

20 a 30% (Internacional) As doenças respiratórias constituem a principal causa de internação pediátrica no Brasil (SIH/SUS, 2010–2024) e a causa mais frequente de emergência de alto risco nos PS pediátricos. Na primeira infância (0–4 anos), bronquiolite e pneumonia lideram

as hospitalizações; na faixa escolar (5–12 anos), asma e pneumonia comunitária predominam.

Diagnósticos que o recém-formado deve dominar:

2. Febre sem Foco / Síndromes Febris — 20 a 28%

(Brasil) | 25 a 45% (Internacional) A febre é a queixa isolada mais frequente nos serviços de emergência pediátrica. Embora a maioria dos episódios seja autolimitada e de etiologia viral, o recém-formado deve identificar os casos que sinalizam infecção bacteriana grave ou condição sistêmica de risco.

Abordagem obrigatória:

3. Doenças Gastrointestinais — 12 a 18% (Brasil) |

10 a 20% (Internacional) Os distúrbios gastrointestinais formam o terceiro maior grupo de atendimentos pediátricos. A desidratação secundária à gastroenterite aguda (GEA) é a principal causa de óbito evitável em crianças < 5 anos em países de média renda.

Diagnósticos prioritários:

4. Traumas e Causas Externas — 8 a 15% (Brasil) |

15 a 20% (Internacional) As causas externas representam a principal causa de óbito em crianças > 1 ano no Brasil. Quedas predominam na faixa de 1–4 anos; acidentes de trânsito e esportes na faixa escolar e adolescência. Queimaduras têm maior incidência nas regiões Nordeste e Sudeste.

Situações de domínio obrigatório:

ativado: eficaz em até 1h da ingestão. Contato com Centro de Informação Toxicológica (CIT): 0800-722-6001.

5. Emergências Neurológicas — 8 a 12%

As emergências neurológicas representam o grupo de maior risco de sequela e morte quando não manejadas com agilidade. Crises convulsivas correspondem à maioria dos casos; o Estado de Mal Epiléptico (EME) exige reconhecimento e tratamento em minutos.

6. Doenças Infecciosas e Sepse — 5 a 10% (Brasil) |

3 a 8% (Internacional) A sepse pediátrica deve ser reconhecida em até 1 hora — o protocolo SBP/ILAS recomenda antibioticoterapia em até 60 minutos após identificação. Os Critérios de Phoenix (2024) substituem os critérios SIRS para definição de sepse pediátrica, com maior especificidade.

7. Doenças Dermatológicas e Alérgicas — 4 a 7%

⚠ Triagem estratificada — não classificar toda a categoria com a mesma cor

8. Doenças Urológicas e Renais — 2 a 5%

9. Emergências Metabólicas — 2 a 4%

10. Emergências Neonatais e Perinatais — 3 a 6%

O recém-nascido e o lactente jovem apresentam fisiologia radicalmente diferente das demais faixas etárias: margens estreitas de compensação, sinais clínicos inespecíficos e rápida deterioração. É a área de maior insegurança entre recém-formados — acionar neonatologia precocemente é sempre a conduta correta quando há dúvida.

Principais condições:

Guia de Prioridade de Estudo — Recomendação para Médicos Recém- Formados A ordem abaixo reflete a combinação entre frequência de atendimento, potencial de morbimortalidade e necessidade de decisão imediata:

1º Emergências Respiratórias — reconhecer insuficiência respiratória iminente salva mais vidas do que qualquer outro conhecimento isolado.

2º Febre e Triagem — estratificar risco febril evita tanto o subtratamento quanto o supertratamento. Dominar o semáforo NICE/AAP.

3º Emergências Neurológicas (EME e TCE) — segundos fazem diferença.

Memorizar o protocolo escalonado do EME.

4º Sepse / Infecções Graves — o protocolo de 1 hora salva vidas. Memorizar os Critérios de Phoenix 2024.

5º Trauma e Maus-Tratos — ABCDE do trauma pediátrico, PECARN para TCE e reconhecimento de maus-tratos com notificação compulsória.

6º Gastrointestinal / Desidratação — classificação e tratamento da desidratação é competência básica inegociável.

7º Anafilaxia — adrenalina IM imediata. Não hesitar, não esperar anti-histamínico. 8º CAD / Distúrbios Metabólicos — risco de edema cerebral na correção rápida. Protocolo rigoroso de hidratação.

9º Neonatal — RN doente tem margens estreitíssimas. Acionar neonatologia precocemente. Não subestime sintomas vagos no neonato.

10º ITU e Doenças Alérgicas — frequentes, manejo protocolar, bom prognóstico quando bem conduzidas.

Complemento formativo recomendado: cursos PALS (Pediatric Advanced Life Support) e ATLS Pediátrico são obrigatórios para o médico que atua em urgência/emergência pediátrica. Consulte SBP, ACEP e AHA para calendário de cursos.

Referências Bibliográficas Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Proposta de inclusão dos pediatras na atenção básica: Os números da morbidade. Ministério da Saúde; 2020.

Brasil. Ministério da Saúde. Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) — DATASUS. Internações pediátricas 2010–2024.

Acervo Saúde (Revista Eletrônica). Análise das principais urgências e emergências pediátricas no Brasil entre 2020 e 2023. Acervo Saúde. 2026 Mar.

Brazilian Journal of Health Review. Causas de hospitalização em crianças de 0 a 9 anos no Brasil: análise com base no SIH/SUS (2013–2024). 2025.

American Academy of Pediatrics (AAP). Pediatric Emergency Care Applied Research Network (PECARN). Guidelines for pediatric emergency care. Pediatrics. 2023. Harvard Medical School / Boston Children's Hospital. Pediatric Emergency Medicine — Clinical Practice Guidelines. 2023.

National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Fever in under 5s: assessment and initial management. NICE Guideline NG143. London: NICE; 2021. Asociación Española de Pediatría (AEP). Protocolos de Urgencias Pediátricas. 4ª ed. Madrid: AEP; 2020.

Weiss SL, et al. Surviving Sepsis Campaign International Guidelines for the Management of Septic Shock and Sepsis-Associated Organ Dysfunction in Children (Phoenix Criteria). Pediatr Crit Care Med. 2024.

Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS). Critérios de Sepse de Phoenix — Nota Técnica. 2024.

Dharmar M, et al. Common diagnoses among pediatric attendances at emergency departments. BMC Emerg Med. 2021;21:55.

CDC / MMWR. Pediatric Emergency Department Visits Before and During the COVID- 19 Pandemic — United States, January 2019–January 2022. MMWR. 2022;71(8). Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Manual de Urgências e Emergências em Pediatria — PALS. 3ª ed. 2023.

American Heart Association (AHA) / American Academy of Pediatrics (AAP). Pediatric Advanced Life Support (PALS) Provider Manual. 2020.