A Artrite Idiopática Juvenil é a doença reumática crônica mais comum da infância e um termo guarda-chuva: reúne formas com mecanismos, prognósticos e respostas terapêuticas distintas. O diagnóstico permanece clínico e de exclusão, mas o tratamento mudou de forma radical — da espera passiva para a estratégia de tratar para um alvo, com uso precoce de imunobiológicos.
1.Definição e conceito
A AIJ é definida como artrite de causa desconhecida, com início antes dos 16 anos e duração de pelo menos 6 semanas, após exclusão de outras causas (infecção, neoplasia, outras doenças autoimunes definidas). A classificação de referência ainda é a da ILAR (Edmonton, 2001), que divide a doença em sete categorias conforme as manifestações dos primeiros seis meses.
Mais recentemente, a PRINTO propôs uma nova classificação, baseada em homogeneidade clínica e laboratorial, com menos categorias (AIJ sistêmica, fator reumatoide positivo, relacionada à entesite/espondilite, AIJ ANA-positiva de início precoce e "outras"). Ainda não foi amplamente adotada e segue em validação.
A SBP e a Sociedade Brasileira de Reumatologia mantêm a classificação ILAR 2001 na prática clínica e nos materiais oficiais. A proposta da PRINTO ainda não é usada de rotina no Brasil.
2.Epidemiologia
A AIJ é a doença reumatológica crônica mais frequente na infância, com incidência estimada entre cerca de 1 e 22 casos por 100.000 crianças/ano e prevalência variável conforme região e critérios. Há predomínio feminino na maioria dos subtipos, exceto na artrite relacionada à entesite, mais comum em meninos escolares e adolescentes. As formas oligoarticulares são as mais prevalentes no Ocidente.
3.Fisiopatologia
A AIJ não tem um mecanismo único. A compreensão atual separa dois grandes polos imunológicos, o que explica por que os tratamentos diferem tanto entre os subtipos:
- Doença predominantemente autoimune (adaptativa): as formas oligo e poliarticulares envolvem ativação de linfócitos T, apresentação antigênica ligada a alelos HLA de risco, produção de autoanticorpos (FAN, fator reumatoide, anti-CCP) e infiltração sinovial com hiperplasia, neovascularização (pannus) e dano à cartilagem e ao osso.
- Doença predominantemente autoinflamatória (inata): a AIJ sistêmica aproxima-se das doenças autoinflamatórias, com papel central da imunidade inata e das citocinas IL-1, IL-6 e IL-18, ativação de macrófagos e neutrófilos. Isso fundamenta a eficácia dos bloqueios de IL-1 e IL-6 e o risco de síndrome de ativação macrofágica.
Sobre essa base atuam fatores genéticos (forte agregação em alguns subtipos), epigenéticos e ambientais (incluindo o microbioma e gatilhos infecciosos). Na sinóvia inflamada, o desequilíbrio entre citocinas pró e anti-inflamatórias perpetua a inflamação. A uveíte associada relaciona-se sobretudo ao subgrupo FAN-positivo de início precoce, refletindo um processo autoimune dirigido também ao olho.
4.Classificação e subtipos (ILAR 2001)
Conhecer o subtipo é essencial: define o risco de uveíte, a escolha terapêutica e o prognóstico.
| Subtipo | Características | Pontos de atenção |
|---|---|---|
| Oligoarticular | ≤ 4 articulações nos primeiros 6 meses; grandes articulações assimétricas; meninas pré-escolares. Persistente ou estendida (≥ 5 após 6 meses). | FAN positivo = maior risco de uveíte anterior crônica silenciosa. |
| Poliarticular FR negativo | ≥ 5 articulações, sem fator reumatoide. Grupo heterogêneo, pequenas e grandes articulações. | Vigilância de uveíte quando FAN positivo. |
| Poliarticular FR positivo | ≥ 5 articulações, simétrica, FR positivo; meninas adolescentes. | Equivalente pediátrico da AR do adulto; curso erosivo, terapia agressiva precoce. |
| Sistêmica (doença de Still) | Artrite + febre alta diária + exantema evanescente salmão, linfadenomegalia, hepatoesplenomegalia ou serosite. | Doença autoinflamatória; risco de ativação macrofágica. |
| Relacionada à entesite (ARE) | Artrite e/ou entesite; meninos escolares; acometimento axial e de MMII; HLA-B27. | Espectro das espondiloartrites; uveíte anterior aguda sintomática. |
| Psoriásica | Artrite + psoríase, ou + 2 de: dactilite, alterações ungueais, história familiar de psoríase. | Artrite pode preceder a pele em anos. |
| Indiferenciada | Não preenche nenhuma categoria ou preenche mais de uma. | Reforça o caráter evolutivo da classificação. |
5.Semiologia e quadro clínico
Na criança, a artrite raramente se traduz pela queixa verbal de dor. O reconhecimento depende de sinais que a substituem:
- Rigidez matinal e rigidez pós-repouso (fenômeno do gel), que melhora com a movimentação.
- Claudicação, recusa a deambular ou regressão de marcos motores já adquiridos.
- Edema articular, calor e limitação de movimento, com ou sem dor relatada.
- Posturas antálgicas e atitude protetora do membro.
- Sinais sistêmicos na forma sistêmica: febre em picos diários, exantema, adinamia, perda de peso.
Dor predominantemente noturna que desperta a criança, dor desproporcional ao exame, recusa total a tocar o membro e comprometimento do estado geral apontam para causas não reumatológicas — sobretudo infecção e neoplasia.
6.Exame físico
O exame deve ser sistemático e abranger todas as articulações, inclusive as menos óbvias. Uma triagem articular pediátrica estruturada (no modelo do pGALS — pediatric Gait, Arms, Legs, Spine) ajuda a não perder acometimentos silenciosos.
Roteiro essencial
- Marcha e postura: claudicação, assimetrias, atitudes antálgicas.
- Articulações: inspeção (edema, eritema), palpação (calor, derrame), amplitude de movimento ativa e passiva, dor à mobilização. Avaliar joelhos, tornozelos, punhos, mãos, quadris.
- Articulações frequentemente esquecidas: temporomandibular (micrognatia, limitação de abertura bucal), coluna cervical e quadris.
- Ênteses: dor à palpação das inserções tendíneas (calcâneo, patela) — chave na ARE.
- Pele e anexos: psoríase, dactilite, alterações ungueais (pitting, onicólise), exantema.
- Olhos: a uveíte é tipicamente assintomática — exige exame oftalmológico, não bastando a inspeção.
- Crescimento: estatura, simetria e comprimento dos membros, sinais de discrepância localizada.
7.Exames complementares
Os exames apoiam, mas não fecham o diagnóstico — que é clínico. Servem para avaliar atividade, estratificar risco (uveíte, prognóstico) e, sobretudo, excluir infecção e malignidade.
O que pedir e por quê
Hemograma, VHS e PCR: atividade inflamatória; ajudam a triar infecção e neoplasia. FAN: marca o subgrupo de maior risco de uveíte — não confirma AIJ. Fator reumatoide e anti-CCP: definem a poliartrite FR positiva e sinalizam pior prognóstico. HLA-B27: apoia a ARE. Ferritina, triglicerídeos, fibrinogênio, transaminases e D-dímero: úteis na forma sistêmica e na suspeita de ativação macrofágica. Provas para excluir infecção (ASLO, sorologias, culturas) conforme a suspeita.
Papel de cada método
Ultrassonografia: detecta derrame e sinovite com boa sensibilidade, inclusive subclínicos, e guia infiltrações. Ressonância magnética: avalia sinovite, edema ósseo e dano precoce, especialmente em sacroilíacas e ATM. Radiografia: exclui outras causas e mostra dano estrutural tardio (erosões, redução do espaço articular).
Dor óssea intensa, dor noturna, citopenias, organomegalia, perda de peso ou desproporção entre a queixa e os achados articulares exigem investigação ativa para malignidade (sobretudo leucemia) antes de iniciar corticoterapia, que pode mascarar o diagnóstico.
8.Diagnóstico diferencial
| Categoria | Exemplos |
|---|---|
| Infecciosa | Artrite séptica, osteomielite, artrite viral (parvovírus B19, arbovírus) |
| Pós-infecciosa | Artrite reativa, febre reumática |
| Neoplásica | Leucemia, neuroblastoma, tumores ósseos |
| Mecânica/ortopédica | Trauma, Legg-Calvé-Perthes, epifisiólise |
| Não inflamatória | Dor de crescimento, hipermobilidade, dor amplificada |
| Outras sistêmicas | Lúpus, vasculites, doença inflamatória intestinal |
A monoartrite aguda febril é artrite séptica até prova em contrário e exige punção articular e avaliação urgente.
9.Tratamento
O objetivo atual é a doença inativa / remissão, com a estratégia de tratar para um alvo (treat-to-target), reavaliações frequentes e ajuste da terapia até atingir e manter o controle. As diretrizes recentes da ACR (2021/2022) trouxeram mudanças importantes: ênfase no uso precoce de DMARDs (sintéticos e biológicos), recomendação de biológico como primeira linha na forma sistêmica e posição contrária ao uso crônico de glicocorticoides e à monoterapia prolongada com AINEs.
Medidas não farmacológicas
Fisioterapia e terapia ocupacional, atividade física, dieta equilibrada e suporte psicossocial são parte integrante do cuidado, conforme as diretrizes de 2021.
Arsenal farmacológico
- AINEs: alívio sintomático inicial; não devem ser a base do tratamento por tempo prolongado.
- Glicocorticoide intra-articular: muito eficaz na doença oligoarticular, poupando exposição sistêmica (triancinolona hexacetonida é a preferida).
- Glicocorticoide sistêmico: reservado a ponte e à doença sistêmica grave, pelo impacto no crescimento e nos efeitos adversos.
- csDMARDs (sintéticos convencionais): metotrexato é a base na poliartrite; leflunomida e sulfassalazina (esta útil na ARE) são alternativas.
- bDMARDs (biológicos): anti-TNF (etanercepte, adalimumabe, infliximabe, golimumabe), anti-IL-6 (tocilizumabe), anti-IL-1 (anakinra, canaquinumabe) e modulador da coestimulação de linfócito T (abatacepte).
- tsDMARDs (inibidores de JAK): tofacitinibe, aprovado para a forma poliarticular, ampliou as opções nas formas refratárias.
Na forma sistêmica, o bloqueio de IL-1 ou IL-6 assumiu papel central e precoce. Na uveíte associada, prioriza-se metotrexato e, quando necessário, anti-TNF monoclonal (adalimumabe/infliximabe) — o etanercepte é menos eficaz no olho.
A SBP descreve, para a forma sistêmica, uma sequência que tipicamente parte de AINE, corticosteroide e metotrexato, escalando para biológico na inflamação articular persistente — enquanto a ACR 2021 encoraja o biológico (IL-1/IL-6) mais cedo, inclusive como primeira linha, com restrição ao corticoide crônico. Essa diferença reflete também o acesso: a própria SBP observa que o canaquinumabe ainda não está disponível no sistema público e que o acesso precoce a biológicos pode ser limitado pelo custo. No SUS, a dispensação segue o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, em geral após falha de csDMARD.
10.Doses dos medicamentos
Valores de referência para uso pediátrico; vários têm indicação por faixa de peso e parte é off-label em alguns subtipos. Devem ser confirmados em bula/protocolo atualizado e individualizados, sempre sob reumatologista pediátrico.
| Medicamento | Dose habitual | Observações |
|---|---|---|
| Metotrexato | 10–15 mg/m²/semana (VO ou SC), dose única semanal; máx ≈ 20–25 mg/semana | Base da poliartrite. Associar ácido fólico. Monitorar hemograma e transaminases. |
| Leflunomida | Por faixa de peso (≈ 10–20 mg/dia) | Alternativa ao metotrexato. |
| Sulfassalazina | 30–50 mg/kg/dia (máx ≈ 2 g/dia) | Útil na artrite relacionada à entesite. |
| Hidroxicloroquina | ≈ 5 mg/kg/dia | Adjuvante; usada em formas leves selecionadas. |
| Triancinolona hexacetonida (intra-articular) | Conforme articulação/tamanho | Glicocorticoide intra-articular preferido na oligoartrite. |
| Metilprednisolona (pulso IV) | 30 mg/kg/dia (máx 1 g) por 3 dias | Doença sistêmica grave e ativação macrofágica. |
| Medicamento (alvo) | Dose | Indicação principal |
|---|---|---|
| Etanercepte (anti-TNF) | 0,8 mg/kg SC 1×/semana (máx 50 mg) ou 0,4 mg/kg 2×/semana (máx 25 mg/dose) | Poliartrite, ARE |
| Adalimumabe (anti-TNF) | 20 mg SC a cada 2 sem se 10–<30 kg; 40 mg SC a cada 2 sem se ≥ 30 kg | Poliartrite; preferido na uveíte |
| Infliximabe (anti-TNF, IV) | ≈ 6 mg/kg IV nas semanas 0, 2 e 6, depois a cada 8 sem | Uveíte/ARE refratárias (off-label) |
| Tocilizumabe (anti-IL-6) | Sistêmica IV: 12 mg/kg (<30 kg) ou 8 mg/kg (≥30 kg) a cada 2 sem · Poliarticular IV: 10 mg/kg (<30 kg) ou 8 mg/kg (≥30 kg) a cada 4 sem (há apresentação SC) | Sistêmica e poliartrite |
| Canaquinumabe (anti-IL-1β) | 4 mg/kg SC (máx 300 mg) a cada 4 sem | Sistêmica |
| Anakinra (antagonista do receptor de IL-1) | 1–2 mg/kg/dia SC (doses maiores na ativação macrofágica refratária) | Sistêmica e SAM |
| Abatacepte (modulador da coestimulação T) | IV por peso (≈ 10 mg/kg nas semanas 0, 2, 4 e depois a cada 4 sem); há apresentação SC semanal | Poliartrite |
| Tofacitinibe (inibidor de JAK) | Por faixa de peso (≈ 5 mg 2×/dia em crianças maiores; solução oral para menores) | Poliartrite refratária |
11.Uveíte e rastreio oftalmológico
A uveíte é a principal manifestação extra-articular e uma causa evitável de morbidade visual, justamente por ser crônica, anterior e silenciosa. O rastreio com lâmpada de fenda é mandatório mesmo sem sintomas, com frequência guiada pelo risco.
| Perfil de risco | Frequência sugerida |
|---|---|
| Maior risco: oligo/poliarticular, FAN positivo, início precoce (< 6–7 anos) e doença recente (≤ 4 anos) | Lâmpada de fenda a cada ~3 meses |
| Risco intermediário: demais oligo/poliarticulares conforme idade/FAN e tempo de doença | A cada ~6 meses |
| Menor risco: maior tempo de doença, FAN negativo | A cada ~6–12 meses |
| Forma sistêmica e ARE | Risco de uveíte crônica baixo; ARE faz uveíte aguda sintomática (avaliar conforme sintomas) |
O subgrupo FAN positivo de início precoce concentra o maior risco. Manter o rastreio mesmo com a artrite controlada — a atividade ocular não acompanha necessariamente a articular.
12.Síndrome de ativação macrofágica (SAM)
Complicação grave e potencialmente fatal, sobretudo da AIJ sistêmica — uma forma de linfo-histiocitose hemofagocítica secundária. Deve ser reconhecida precocemente.
Quando suspeitar
- Febre persistente com piora do estado geral.
- Queda das séries hematológicas (a paradoxal normalização/queda do VHS com PCR ainda alta é uma pista).
- Hiperferritinemia acentuada, hipertrigliceridemia, hipofibrinogenemia, elevação de transaminases e de D-dímero.
- Hepatoesplenomegalia, sangramento, disfunção do sistema nervoso central.
Existem critérios de classificação (EULAR/ACR/PRINTO, 2016) que combinam ferritina elevada com plaquetopenia, hipofibrinogenemia, hipertrigliceridemia e elevação de transaminases no contexto de AIJ sistêmica.
Hospitalização imediata. Pilares: glicocorticoide em dose alta (pulsos de metilprednisolona), anakinra e ciclosporina; considerar imunoglobulina e, em casos refratários, esquemas tipo etoposídeo. O tratamento deve ser conduzido com a reumatologia pediátrica.
13.Complicações
- Uveíte anterior crônica, com risco de catarata, glaucoma e perda visual se não rastreada.
- Síndrome de ativação macrofágica, emergência da forma sistêmica.
- Alterações de crescimento: déficit estatural por inflamação crônica e corticoterapia; discrepância de comprimento de membros e assimetrias localizadas; micrognatia por acometimento da ATM.
- Dano articular e limitação funcional: contraturas, erosões e perda de função quando o controle é inadequado.
- Osteopenia/osteoporose e repercussões psicossociais.
14.Protocolo de seguimento
O acompanhamento é contínuo e multidisciplinar, ancorado na estratégia de tratar para um alvo.
Atividade de doença
Usar instrumentos validados como o JADAS / cJADAS (que combinam contagem de articulações ativas, avaliação global e provas inflamatórias) para medir atividade e guiar o ajuste terapêutico em consultas regulares, mais frequentes enquanto não há controle.
Antes de iniciar imunobiológico
- Rastreio de tuberculose (PPD ou IGRA) e radiografia de tórax; sorologias para hepatites B e C.
- Atualização vacinal, preferencialmente antes da imunossupressão; vacinas vivas são contraindicadas durante a imunossupressão significativa. As diretrizes de 2021 reforçam manter o calendário em dia.
Monitoramento durante o tratamento
- csDMARD/metotrexato: hemograma e transaminases periódicos (em geral a cada ~3 meses, mais frequentes no início).
- Biológicos: vigilância de infecções e exames laboratoriais conforme o agente.
- Oftalmologia: rastreio de uveíte conforme o risco (ver seção 11).
- Crescimento e saúde óssea: estatura, peso, puberdade; atenção à densidade mineral óssea.
Atingida a doença inativa sustentada, a redução/suspensão das medicações é considerada de forma individualizada, com vigilância de recidiva.
15.Prognóstico
O prognóstico varia conforme o subtipo. As formas oligoarticulares costumam evoluir bem, com boa chance de remissão; a poliarticular FR positiva e parte das formas sistêmicas tendem a curso mais persistente e erosivo. A chegada dos biológicos e das estratégias de tratamento precoce melhorou substancialmente os desfechos funcionais. Ainda assim, parcela dos pacientes mantém atividade na vida adulta — o que reforça o valor do diagnóstico oportuno, do seguimento contínuo e do rastreio sistemático de complicações, com destaque para a uveíte.
16.Divergências e contexto brasileiro (resumo)
Classificação: SBP/SBR mantêm a ILAR 2001; a proposta da PRINTO não é usada de rotina no Brasil.
Forma sistêmica: a ACR 2021 favorece bloqueio precoce de IL-1/IL-6 (inclusive como primeira linha) e desencoraja corticoide crônico; a prática brasileira/SBP frequentemente parte de AINE, corticoide e metotrexato antes do biológico.
Acesso: a SBP registra que o canaquinumabe não está disponível no sistema público e que o custo limita o acesso precoce a biológicos; no SUS, a dispensação segue o PCDT do Ministério da Saúde, em geral após falha de csDMARD. Inibidores de JAK e alguns agentes têm acesso restrito.
Na prática, a melhor conduta concilia a evidência internacional mais recente com a realidade de acesso local, sempre sob reumatologia pediátrica.
17.Referências selecionadas
- Onel KB, et al. 2021 American College of Rheumatology Guideline for the Treatment of JIA: Oligoarthritis, TMJ Arthritis, and Systemic JIA. Arthritis Care & Research. 2022;74(4):521–537.
- Onel KB, et al. 2021 ACR Guideline for the Treatment of JIA: Nonpharmacologic Therapies, Medication Monitoring, Immunizations, and Imaging. Arthritis Care & Research. 2022;74(4):505–520.
- Angeles-Han ST, et al. 2019 ACR/Arthritis Foundation Guideline for Screening, Monitoring, and Treatment of JIA-Associated Uveitis. Arthritis Care & Research. 2019.
- Petty RE, et al. ILAR classification of JIA: second revision, Edmonton, 2001. J Rheumatol. 2004;31(2):390–392.
- Martini A, et al. Toward New Classification Criteria for JIA: PRINTO International Consensus. J Rheumatol. 2019;46(2):190–197.
- Ravelli A, et al. 2016 Classification Criteria for Macrophage Activation Syndrome in Systemic JIA (EULAR/ACR/PRINTO).
- Update on Biologic Therapy in JIA: A Five-year Narrative Review. PMC. 2025.
- Foeldvari I, et al. A practical approach to uveitis screening in children with JIA. Br J Ophthalmol. 2025;109(3):372–376.
- Sociedade Brasileira de Pediatria / Comissão de Reumatologia Pediátrica da SBR. Materiais sobre AIJ (subtipos poliarticular, sistêmico e relacionado à entesite). sbp.com.br, 2025.
- Consenso brasileiro de reumatologia pediátrica — critérios de doença inativa e remissão em AIJ. Revista Brasileira de Reumatologia (SciELO).