Conteúdo informativo, em linguagem acessível, para orientar o cuidado do seu filho. Não substitui a consulta nem a orientação do seu pediatra.
Febre e Convulsão Febril: Orientações para Pais
A febre é um sintoma muito frequente nos primeiros anos de vida, principalmente quando a criança passa a frequentar a creche ou a escolinha. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) atualizou recentemente suas diretrizes, considerando como febre a temperatura axilar igual ou superior a 37,5°C.
O que precisamos entender sobre a febre?
A febre não é uma doença, mas sim um mecanismo de defesa. É um mecanismo de defesa que o organismo tem para lutar contra uma infecção (geralmente viral ou bacteriana). O aumento da temperatura corporal cria um ambiente desfavorável para os microrganismos e facilita a ação do sistema imunológico da criança.
Medicamos para tirar o sofrimento da criança e não para tirar a febre.
Frente a uma criança com febre, o mais importante é que o pediatra identifique a causa.
Quando e como medicar?
O que Fazer (Recomendado) O que NÃO Fazer (Evitar)
Medicar apenas se a criança estiver com mal-estar, dor Não medicar uma criança que está brincando e ativa, ou irritabilidade evidente. mesmo que esteja com 38°C.
Usar o antitérmico na dose correta calculada pelo peso Não medicar bebês com menos de 3 meses de idade da criança. sem avaliação médica imediata.
Aguardar o intervalo correto (Paracetamol a cada 6 Não usar antitérmicos de forma preventiva (antes de a horas; Ibuprofeno a cada 6 a 8 horas). febre aparecer).
Temos que alternar os antitérmicos?
A prática de alternar diferentes antitérmicos (ex: dar dipirona e depois ibuprofeno) não é recomendada de forma habitual. O uso alternado aumenta significativamente o risco de confusão nos horários e de superdosagem (intoxicação). Escolha um medicamento com o qual a criança se adapta bem e mantenha o intervalo recomendado. Lembretes importantes sobre antitérmicos:
- Os antitérmicos costumam diminuir a temperatura em apenas 1 a 1,5°C. Se a criança está com 39,5°C, é normal
que a temperatura caia para 38°C e não para 36,5°C.
- O ibuprofeno só deve ser utilizado a partir dos 6 meses de vida.
- Mantenha sempre os medicamentos fora do alcance das crianças.
Convulsão Febril: O que é e como agir
A convulsão febril é um evento que causa muito pânico nos pais, mas que, na imensa maioria das vezes, é benigno e não deixa sequelas. Ocorre em cerca de 2 a 5% das crianças, tipicamente entre os 6 meses e os 5 anos de idade (com pico ao redor de 18 a 24 meses).
Por que acontece?
O cérebro da criança pequena ainda é imaturo. Quando a temperatura corporal sobe muito rapidamente (a velocidade da elevação importa mais do que o valor máximo da febre), essa mudança brusca pode desencadear uma alteração elétrica temporária no cérebro, resultando na convulsão. Existe também um forte componente genético familiar.
Como identificar?
Durante uma crise, a criança pode perder a consciência, apresentar tremores ou rigidez no corpo, revirar os olhos e apresentar salivação excessiva ou lábios arroxeados. A crise costuma durar poucos minutos (geralmente menos de 5 minutos). Após a crise, é normal que a criança fique sonolenta ou confusa por um tempo.
O que fazer durante uma crise?
Ações Essenciais Ações Proibidas
Mantenha a calma e cronometre o tempo da crise. NÃO tente segurar ou conter os movimentos da
criança.Coloque a criança deitada de lado (posição lateral de NÃO coloque os dedos, colheres ou qualquer objeto segurança) em uma superfície segura (chão ou cama dentro da boca da criança (ela não vai "engolir a grande). língua").
Afrouxe roupas apertadas, especialmente no pescoço. NÃO tente dar remédios, água ou alimentos durante a
crise.Afaste objetos perigosos ou cortantes de perto. NÃO coloque a criança na banheira para tentar baixar a
febre durante a convulsão.É importante saber que dar antitérmicos não previne a ocorrência de convulsões febris. Após a crise, a criança deve sempre ser avaliada por um médico para identificar a causa da febre. Fique tranquilo: convulsões febris simples não causam danos cerebrais, não afetam a inteligência e não significam que a criança terá epilepsia no futuro.
Referências Bibliográficas
[1] Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Abordagem da Febre Aguda em Pediatria e Reflexões (2025). [2] American Academy of Pediatrics (AAP). Febrile Seizures: Clinical Practice Guideline. [3] MSD Manuals. Convulsões febris: Problemas de saúde infantil. [4] Hospital Pequeno Príncipe. Febre em crianças: quando se preocupar?