Neonatologia · Crescimento e Prematuridade

Peso ao Nascer — PIG, AIG e GIG

Classificação, restrição de crescimento e macrossomia

1. Importância do tema na Pediatria

A classificação do peso ao nascer em relação à idade gestacional (PIG, AIG, GIG) orienta o risco de complicações imediatas (hipoglicemia, hipotermia, policitemia, asfixia) e o seguimento a longo prazo (neurodesenvolvimento, risco metabólico). É a base para antecipar problemas na sala de parto e nas primeiras horas — tema clássico de prova.

2. Avaliação inicial

Determinar a idade gestacional (DUM/USG precoce/Capurro-New Ballard) e plotar o peso na curva (Fenton/Intergrowth-21st). Classificar em PIG (< p10), AIG (p10–p90) e GIG (> p90). No PIG, definir se é simétrico (precoce, todo o corpo proporcional) ou assimétrico (tardio, poupa o crânio). Antecipar a triagem de glicemia.

3. Fisiopatologia aplicada

O PIG decorre de restrição do crescimento intrauterino por causas fetais (cromossomopatias, infecções congênitas — TORCH), placentárias (insuficiência placentária, pré-eclâmpsia) ou maternas (hipertensão, tabagismo, desnutrição). No PIG assimétrico, a insuficiência placentária tardia reduz o aporte e o feto redistribui o fluxo para o cérebro (brain sparing), poupando o crânio e reduzindo o fígado/tecido adiposo — daí as reservas baixas de glicogênio (hipoglicemia) e a policitemia (hipóxia crônica → eritropoetina). O GIG associa-se ao diabetes materno: a hiperglicemia materna gera hiperinsulinismo fetal (fator de crescimento), com macrossomia, hipoglicemia pós-natal (queda abrupta da glicose com insulina alta) e risco de tocotraumatismo. Implicação no manejo: triar glicemia em PIG e GIG, vigiar policitemia e prevenir hipotermia.

4. Diagnóstico

5. Classificação

ClasseDefinição (peso × IG)
PIGPeso < percentil 10 para a IG
AIGPeso entre os percentis 10 e 90
GIGPeso > percentil 90 para a IG (macrossomia se > 4.000 g)

PIG simétrico × assimétrico

TipoInício / causaCaracterísticas
SimétricoPrecoce (1º trimestre): cromossomopatia, TORCHCrânio, peso e estatura proporcionalmente reduzidos
AssimétricoTardio: insuficiência placentáriaPoupa o crânio (brain sparing); reduz peso/abdome

6. Conduta e tratamento

1. 1 — triagem de glicemia (dextro) em PIG e GIG conforme protocolo; manter aporte/alimentação precoce; corrigir a hipoglicemia. 2. 2 — prevenir hipotermia (contato pele a pele, fonte de calor); vigiar policitemia (hematócrito) no PIG. 3. 3 — PIG: investigar a causa (TORCH, exame da placenta); GIG: investigar diabetes materno e tocotraumatismo (clavícula, plexo braquial). 4. 4 — seguimento do crescimento e do neurodesenvolvimento após a alta.

Fluxograma terapêutico (resumo)

1. Passo 1 — classificar (peso × IG) → PIG/GIG entram em triagem de glicemia. 2. Passo 2 — vigiar hipoglicemia, hipotermia e policitemia; tratar conforme protocolo. 3. Passo 3 — investigar a causa (PIG: TORCH/placenta; GIG: diabetes/tocotrauma) e seguir.

7. Comparação de protocolos

Os protocolos da SBP, AAP, NICE, AEP, Oxford (Oxford Handbook), Harvard (Cloherty and Stark's) e do Ministério da Saúde do Brasil convergem nos pontos abaixo; as divergências são pontuais.

em PIG/GIG; prevenção de hipotermia; vigilância de policitemia; seguimento.

Intergrowth-21st) e os limiares/intervalos exatos da triagem de glicemia.

8. Critérios de internação

prematuridade associada ou tocotraumatismo grave → unidade neonatal.

alojamento conjunto com triagem.

9. Complicações

sequelas do neurodesenvolvimento. GIG: hipoglicemia, tocotraumatismo (fratura de clavícula, paralisia braquial), asfixia.

10. Erros comuns

distintos); não investigar a causa do PIG; não pesquisar diabetes materno e tocotraumatismo no GIG.

11. Considerações finais — pontos-chave (ENAMED)

prematuridade).

a placenta.

tocotraumatismo.

Referências (ABNT NBR 14724) 1. FENTON, T. R.; KIM, J. H. A systematic review and revised growth chart for preterm infants. BMC

Pediatrics, 2013.

2. VILLAR, J. et al. International standards for newborn weight, length, and head circumference

(INTERGROWTH-21st). Lancet, 2014.

3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Recém-nascido de risco — PIG e GIG. Documento

Científico.

Última revisão de conteúdo: junho/2026. Confirme as diretrizes vigentes e as doses antes de publicar.

Casos clínicos (estilo ENAMED) Caso 1 RN a termo, peso 2.250 g (< p10), filho de mãe hipertensa com pré-eclâmpsia. Ao exame: aspecto emagrecido, crânio relativamente preservado em relação ao corpo.

Questão 1. Classificação e tipo mais provável?

(A) GIG simétrico (B) PIG assimétrico (C) AIG (D) PIG simétrico (E) Pós-termo macrossômico

Questão 2. Complicações precoces a vigiar?

(A) Apenas hiperglicemia (B) Hipoglicemia, hipotermia e policitemia (C) Hipocalemia isolada (D) Hipertensão arterial (E) Hipernatremia

Questão 3. Investigação adequada da causa?

(A) Apenas radiografia de tórax (B) Causas placentárias/maternas e, se simétrico precoce, TORCH e exame da placenta (C) Somente ecocardiograma (D) Nenhuma investigação (E) Apenas USG de quadril

Caso 2 RN GIG, 4.300 g, filho de mãe com diabetes gestacional. Apresenta tremores e dextro de 30 mg/dL nas primeiras horas; ao exame, dificuldade de movimentação do membro superior direito.

Questão 4. Mecanismo da hipoglicemia nesse RN?

(A) Insuficiência hepática (B) Hiperinsulinismo fetal pela hiperglicemia materna (C) Hipotireoidismo (D) Galactosemia (E) Deficiência de cortisol

Questão 5. A dificuldade de movimentar o membro superior sugere:

(A) Hipoglicemia central (B) Tocotraumatismo (paralisia do plexo braquial) (C) Sepse articular (D) Osteomielite

(E) Artrogripose

Questão 6. Conduta inicial para a hipoglicemia sintomática?

(A) Apenas aumentar a dieta enteral (B) Bólus de glicose IV 200 mg/kg (2 mL/kg de SG 10%) seguido de infusão contínua (C) Insulina subcutânea (D) Soro de manutenção sem glicose (E) Observação por 6 horas

Gabarito comentado Questão 1 — Resposta: B Peso < p10 com crânio preservado em relação ao corpo, em mãe hipertensa, indica PIG assimétrico. Questão 2 — Resposta: B O PIG cursa com hipoglicemia, hipotermia e policitemia. Questão 3 — Resposta: B Investigar causas placentárias/maternas; no simétrico precoce, pesquisar TORCH e examinar a placenta. Questão 4 — Resposta: B A hiperglicemia materna gera hiperinsulinismo fetal, que provoca hipoglicemia após o nascimento. Questão 5 — Resposta: B A dificuldade de mobilizar o membro sugere paralisia do plexo braquial por tocotraumatismo. Questão 6 — Resposta: B A hipoglicemia sintomática trata-se com bólus IV de 200 mg/kg seguido de infusão contínua de glicose. Última revisão de conteúdo: junho/2026. Confirme as diretrizes vigentes e as doses antes de publicar.