Neonatologia · Respiratório

Hipertensão Pulmonar Persistente (HPPN)

HPPN no recém-nascido

1. Importância do tema na Pediatria

A HPPN é causa de hipoxemia grave no RN a termo/pós-termo, com alta mortalidade se não reconhecida e tratada. Associa-se à aspiração de mecônio, asfixia, sepse/pneumonia e hérnia diafragmática. É tema de prova pela apresentação típica (hipoxemia desproporcional que não responde ao O₂).

2. Avaliação inicial

Hipoxemia grave e lábil, com necessidade alta de O₂ e diferença de saturação pré-ductal (MSD) e pós-ductal > 5–10%. A oxigenação piora muito com a manipulação.

3. Fisiopatologia aplicada

Ao nascer, a resistência vascular pulmonar deve cair; na HPPN isso não ocorre e o sangue desvia da direita para a esquerda pelo forame oval e pelo canal arterial, resultando em hipoxemia. Os mecanismos incluem vasoconstrição (asfixia, mecônio, sepse), remodelamento vascular (idiopática) e hipoplasia (hérnia diafragmática). Implicações: otimizar a oxigenação e a ventilação (gentil), manter a pressão arterial sistêmica e usar vasodilatador pulmonar.

4. Diagnóstico

Critérios clínicos Hipoxemia grave e instável com gradiente de SatO₂ pré e pós-ductal; oxigenação muito sensível à manipulação.

Exames essenciais

ExameAchado / utilidade
EcocardiogramaPadrão: shunt D→E, pressão pulmonar elevada; afasta cardiopatia
SatO₂ pré e pós-ductalDiferença > 5–10% (gradiente ductal)
Índice de oxigenaçãoGravidade; indicação de iNO/ECMO
GasometriaHipoxemia grave ± acidose

5. Conduta e tratamento

1. 1 — otimizar oxigenação: evitar hipóxia, hipercapnia e acidose; ventilação gentil; SatO₂ pré-ductal ~90–95%; surfactante se doença parenquimatosa. 2. 2 — manter a PA sistêmica (volume e vasopressores); sedação/analgesia; mínimo manuseio. 3. 3 — vasodilatadores pulmonares (iNO de 1ª linha; sildenafil, milrinona); ECMO refratário.

Doses (protocolo medicamentoso)

MedicaçãoDoseApresentaçãoObservações
Óxido nítricoIniciar 20 ppm; desmameGás medicinal1ª linha
inalado (iNO)gradual ventiladoracoplado ao
Sildenafil0,5–2 mg/kg/dose VO 6/6 h (máx ~3)Suspensão/ comprimidoAdjuvante
MilrinonaAtaque 50–75 mcg/kg IV em 15 min; manutenção 0,25–0,75 mcg/kg/minSolução injetável hipotensãoRisco de
Dopamina/Dopamina 5–20Solução injetávelManter PA,
noradrenalinamcg/kg/min IVreduzir o shunt

As doses neonatais dependem do peso e das idades gestacional e pós-natal — confirme sempre em formulário neonatal (ex.: Neofax) e no protocolo da sua unidade antes de prescrever.

Fluxograma terapêutico (resumo)

1. Passo 1 — hipoxemia grave + gradiente pré/pós-ductal → ecocardiograma.

6. Passo 2 — otimizar ventilação + manter PA + iNO 20 ppm.

3. Passo 3 — refratário ao iNO → adjuvantes (sildenafil/milrinona) → ECMO.

7. Comparação de protocolos

Os protocolos da SBP, AAP, NICE, AEP, Oxford (Oxford Handbook), Harvard (Cloherty and Stark's) e do Ministério da Saúde do Brasil convergem nos pontos abaixo; as divergências são pontuais.

sistêmica; ECMO no refratário.

sildenafil/milrinona como adjuvantes.

8. Critérios de internação

necessário.

9. Complicações

10. Erros comuns

hiperóxia; não afastar cardiopatia.

11. Considerações finais — pontos-chave (ENAMED)

Referências (ABNT NBR 14724) 1. ABMAN, S. H. et al. Pediatric Pulmonary Hypertension: Guidelines (AHA/ATS). Circulation, 2015. 2. CLOHERTY, J. P. et al. Manual de Neonatologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Hipertensão pulmonar persistente neonatal. Documento

Científico.

Última revisão de conteúdo: junho/2026. Confirme as diretrizes vigentes e as doses antes de publicar.

Casos clínicos (estilo ENAMED) Caso 1 RN a termo, pós-asfixia, com hipoxemia grave e instável no 1º dia e diferença de saturação entre o MSD e o membro inferior > 10%.

Questão 1. Exame essencial para confirmar a HPPN e afastar cardiopatia?

(A) Radiografia (B) Ecocardiograma (C) ECG isolado (D) Tomografia (E) Gasometria venosa

Questão 2. Vasodilatador pulmonar de 1ª linha e dose inicial?

(A) Óxido nítrico inalado, 20 ppm (B) Sildenafil IV 5 mg/kg em bólus (C) Milrinona oral única (D) Adrenalina inalatória (E) Furosemida 2 mg/kg

Questão 3. Princípio do suporte da HPPN?

(A) Hipocapnia agressiva e acidose (B) Evitar hipóxia/hipercapnia/acidose, ventilação gentil e manter a PA (C) Hipotensão permissiva (D) Restringir O₂ mesmo na hipoxemia (E) Maximizar a manipulação

Caso 2 O mesmo RN mantém hipoxemia grave apesar do iNO e da ventilação otimizada.

Questão 4. Adjuvante e dose nessa fase?

(A) Sildenafil 0,5–2 mg/kg/dose VO 6/6 h (B) Furosemida em infusão (C) Hidroclorotiazida alta (D) Dexametasona 1 mg/kg (E) Salbutamol inalatório

Questão 5. Por que manter a PA sistêmica?

(A) Aumentar a diurese (B) Reduzir o shunt direita-esquerda e melhorar a oxigenação (C) Diminuir a FC (D) Acelerar o fechamento do canal (E) Elevar a pressão pulmonar

Questão 6. Opção de resgate na refratariedade extrema?

(A) Exsanguineotransfusão (B) ECMO (C) Corticoide em pulso (D) Hemodiálise (E) Fototerapia intensiva

Gabarito comentado Questão 1 — Resposta: B O ecocardiograma confirma a HPPN (shunt D→E) e afasta cardiopatia congênita. Questão 2 — Resposta: A O iNO é o vasodilatador de 1ª linha no RN ventilado, iniciado a 20 ppm. Questão 3 — Resposta: B Evitar hipóxia/hipercapnia/acidose, ventilação gentil e manter a PA sistêmica. Questão 4 — Resposta: A Sildenafil 0,5–2 mg/kg/dose VO 6/6 h é adjuvante útil; a milrinona é outra opção. Questão 5 — Resposta: B Manter a PA sistêmica acima da pulmonar reduz o shunt e melhora a oxigenação. Questão 6 — Resposta: B Na refratariedade ao iNO/ventilação, a ECMO é a opção de resgate. Última revisão de conteúdo: junho/2026. Confirme as diretrizes vigentes e as doses antes de publicar.