1. Importância do tema na Pediatria
A hipertensão neonatal é mais comum na UTI (prematuros com cateter umbilical, displasia broncopulmonar, nefropatias). A causa é, na maioria, RENAL/renovascular. Reconhecer, investigar a causa e tratar de forma escalonada evita lesão de órgão-alvo.
2. Avaliação inicial
Aferir a PA com manguito adequado (largura ~2/3 do braço), com o RN tranquilo. Definir hipertensão como PA sistólica e/ou diastólica ≥ percentil 95 para a idade pós- concepcional, confirmada em 3 ocasiões; ≥ percentil 99 é grave. Procurar a causa (história de cateter umbilical, exame, função renal, ecocardiograma para coarctação).
3. Fisiopatologia aplicada
A maioria das hipertensões neonatais é secundária. A causa iatrogênica mais clássica é a TROMBOSE da artéria renal/aorta associada ao cateter de artéria umbilical, que
ativa — o — sistema — renina-angiotensina. — Outras: — doença — renal
parenquimatosa/renovascular, displasia broncopulmonar (hipóxia crônica), coarctação da aorta (diferença de PA entre membros superiores e inferiores), causas endócrinas (HAC, hipertireoidismo) e medicamentos/dor. Implicação: tratar a causa e a PA, evitando quedas abruptas.
4. Diagnóstico
Critérios PA ≥ p95 para a idade pós-concepcional em 3 medidas (grave se ≥ p99). Avaliar lesão de órgão-alvo (hipertrofia de VE ao ecocardiograma).
Exames essenciais
| Exame | Achado / utilidade |
|---|---|
| Função renal e eletrólitos | Nefropatia; HAC (Na/K) |
| Ultrassom renal com | Trombose, malformação, estenose de artéria renal |
Doppler
| Ecocardiograma | Coarctação; hipertrofia de VE (órgão-alvo) |
|---|---|
| PA nos 4 membros | Gradiente sugere coarctação |
5. Conduta e tratamento
1. 1 — tratar a causa (retirar/ajustar cateter, tratar a nefropatia, corrigir dor/volume) e remover fatores contribuintes. 2. 2 — hipertensão grave/sintomática: infusão IV titulável (nicardipina, esmolol; hidralazina/labetalol em bólus) com redução gradual da PA. 3. 3 — manutenção/forma crônica: via oral — bloqueador de cálcio (anlodipino/isradipino), vasodilatador (hidralazina), e iECA (captopril) com CAUTELA (evitar na disfunção renal/estenose bilateral).
Doses (protocolo medicamentoso)
| Medicação | Dose | Apresentação | Observações |
|---|---|---|---|
| Hidralazina | 0,1–0,5 mg/kg/dose IV (ou VO 0,25–1 mg/kg/dose) | Solução/ comprimido IV | Vasodilatador; opção de 1ª linha |
| Nicardipina | 0,5–4 mcg/kg/min IV contínuo | Solução injetável | Crise: titulável |
| Anlodipino | 0,05–0,3 mg/kg/dia VO comprimido cálcio) | Suspensão/ (bloqueador de | Manutenção |
| Captopril | 0,01–0,5 mg/kg/dose VO comprimido evitar estenose bilateral) | Suspensão/ (função renal; | iECA; CAUTELA |
As doses neonatais dependem do peso e das idades gestacional e pós-natal — confirme sempre em formulário neonatal (ex.: Neofax) e no protocolo da sua unidade antes de prescrever.
Fluxograma terapêutico (resumo)
1. Passo 1 — PA ≥ p95 em 3 medidas → investigar causa (renal/renovascular, cateter, coarctação). 2. Passo 2 — grave/sintomática → IV titulável (redução gradual); leve/crônica → VO (BCC/vasodilatador/iECA com cautela).
6. Passo 3 — tratar a causa e reavaliar órgão-alvo (eco).
7. Comparação de protocolos
Os protocolos da SBP, AAP, NICE, AEP, Oxford (Oxford Handbook), Harvard (Cloherty and Stark's) e do Ministério da Saúde do Brasil convergem nos pontos abaixo; as divergências são pontuais.
- Convergências: definição por percentil (≥ p95), confirmação em 3 medidas;
causa em geral renal; IV titulável na crise e VO na manutenção; cautela com iECA.
- Divergências (pontuais): a escolha do anti-hipertensivo (não há consenso firme)
e os alvos exatos de PA por idade pós-concepcional.
8. Critérios de internação
- UTI: hipertensão grave/sintomática ou com lesão de órgão-alvo → UTI neonatal
com infusão titulável.
9. Complicações
- Insuficiência cardíaca, hipertrofia de VE, encefalopatia hipertensiva e lesão renal;
quedas abruptas podem causar isquemia.
10. Erros comuns
- aferir a PA com manguito inadequado/RN agitado; não confirmar em medidas
repetidas; não investigar a causa (cateter/coarctação); reduzir a PA muito rápido; usar iECA na disfunção renal/estenose bilateral.
11. Considerações finais — pontos-chave (ENAMED)
- Hipertensão = PA ≥ p95 para a idade pós-concepcional, em 3 medidas (grave ≥
p99).
- A causa é, na maioria, RENAL/renovascular — clássica: trombose por cateter de
artéria umbilical.
- Pesquisar coarctação (gradiente de PA entre MMSS e MMII).
- Grave → IV titulável (redução gradual); manutenção → VO; iECA com cautela.
Pontos-chave para residência e ENAMED
- DEFINIÇÃO: PA sistólica e/ou diastólica ≥ percentil 95 para a IDADE PÓS-
CONCEPCIONAL, confirmada em 3 ocasiões (≥ p99 = grave).
- CAUSA mais clássica de prova: TROMBOSE de artéria renal/aorta por CATETER
DE ARTÉRIA UMBILICAL (ativa o eixo renina-angiotensina).
- Sempre pesquisar COARCTAÇÃO da aorta (gradiente de PA entre membros
superiores e inferiores).
- Crise → IV titulável (nicardipina/esmolol; hidralazina); reduzir a PA de forma
GRADUAL.
- iECA (captopril): CUIDADO — evitar na disfunção renal e na estenose bilateral de
artéria renal.
- Manguito adequado (largura ~2/3 do braço) e RN tranquilo evitam falsos positivos.
Referências (ABNT NBR 14724) 1. DIONNE, J. M. et al. Neonatal hypertension: diagnosis and management. Pediatr Nephrol.
2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Hipertensão arterial no recém-nascido. Documento
Científico.
3. FLYNN, J. T. et al. Clinical Practice Guideline for Screening and Management of High Blood Pressure
(AAP).
Última revisão de conteúdo: junho/2026. Confirme as diretrizes vigentes e as doses antes de publicar.
Casos clínicos (estilo ENAMED) Caso 1 Prematuro em UTI, com história de cateter de artéria umbilical, evolui com PA persistentemente acima do percentil 99 para a idade pós-concepcional e hipertrofia de VE ao ecocardiograma.
Questão 1. Causa mais provável?
(A) Coarctação da aorta (B) Trombose de artéria renal associada ao cateter umbilical (C) Hipertireoidismo (D) Dor (E) Erro de aferição
Questão 2. Como confirmar o diagnóstico de hipertensão?
(A) Uma única medida elevada (B) PA ≥ p95 para a idade pós-concepcional em 3 ocasiões (C) Apenas pela clínica (D) Pelo peso (E) Pela diurese
Questão 3. Conduta na hipertensão grave/sintomática?
(A) Reduzir a PA abruptamente (B) Infusão IV titulável com redução gradual da PA (C) Apenas observação (D) iECA em bólus (E) Restrição proteica isolada
Caso 2 RN com diferença de pulsos e de pressão arterial entre os membros superiores e os inferiores.
Questão 4. Qual diagnóstico investigar?
(A) Coarctação da aorta (B) Estenose de piloro (C) Sepse (D) Hipoglicemia (E) Refluxo
Questão 5. Exame para confirmar?
(A) Radiografia de abdome (B) Ecocardiograma (C) EEG (D) Hemograma (E) Urocultura
Questão 6. Qual classe deve ser usada com CAUTELA na disfunção renal/estenose bilateral?
(A) Bloqueador de cálcio (B) Inibidores da ECA (captopril) (C) Vasodilatador direto (D) Betabloqueador (E) Diurético de alça
Gabarito comentado Questão 1 — Resposta: B Cateter umbilical + hipertensão sugere trombose de artéria renal/aorta (ativa renina-angiotensina). Questão 2 — Resposta: B PA ≥ p95 para a idade pós-concepcional em 3 ocasiões define hipertensão. Questão 3 — Resposta: B Hipertensão grave: IV titulável com redução gradual da PA. Questão 4 — Resposta: A Gradiente de PA entre MMSS e MMII sugere coarctação da aorta. Questão 5 — Resposta: B O ecocardiograma confirma a coarctação. Questão 6 — Resposta: B Os iECA exigem cautela na disfunção renal e na estenose bilateral de artéria renal. Última revisão de conteúdo: junho/2026. Confirme as diretrizes vigentes e as doses antes de publicar.