Neonatologia · Malformações, Genética e Cirurgia

Emergências Cirúrgicas Neonatais

Malformações que exigem cirurgia precoce

1. Importância do tema na Pediatria

As emergências cirúrgicas neonatais exigem reconhecimento e estabilização imediatos para reduzir morbimortalidade. A conduta inicial correta (e evitar erros como ventilar a hérnia diafragmática com balão) muda o desfecho — tema clássico de prova.

2. Avaliação inicial

Princípio geral: estabilizar (vias aéreas, temperatura, glicemia, hidratação) e referenciar à cirurgia pediátrica. Reconhecer os sinais de cada quadro orienta a conduta.

3. Fisiopatologia aplicada (por quadro)

QuadroMecanismo e implicação
Atresia de esôfago /Interrupção do esôfago ± fístula traqueoesofágica →
fístulasalivação e risco de aspiração; manter sonda de aspiração no coto, jejum, decúbito elevado
Hérnia diafragmáticaDefeito no diafragma → vísceras no tórax → hipoplasia pulmonar e HPPN; intubar (NÃO ventilar com balão/máscara) e descomprimir o estômago
Gastrosquise /Defeito de parede com vísceras expostas → perda de
onfalocelecalor/líquido; envolver em filme estéril, hidratar
Atresias intestinais /Obstrução → distensão e vômitos biliosos; jejum, sonda,
íleo meconialhidratação
Ânus imperfuradoAusência de orifício anal → obstrução baixa; avaliar fístula e malformações associadas

4. Diagnóstico

Clínico e radiológico: sonda que não progride (atresia de esôfago); abdome escavado e MV reduzido (hérnia diafragmática); vísceras expostas (defeitos de parede); vômitos biliosos e distensão (obstrução); ausência de orifício anal.

5. Conduta e tratamento

1. 1 — suporte comum: jejum, sonda gástrica para descompressão, controle térmico, hidratação venosa, analgesia.

2. 2 — específico por quadro (ver tabela); na hérnia diafragmática, intubar e NÃO ventilar com balão e máscara. 3. 3 — avaliar malformações associadas (cardíacas, renais, vertebrais — associação VACTERL) e referenciar à cirurgia.

Fluxograma terapêutico (resumo)

1. Passo 1 — reconhecer o quadro → estabilizar (jejum, sonda, calor, hidratação). 2. Passo 2 — conduta específica (ex.: HDC → intubar, não ventilar com balão). 3. Passo 3 — referenciar à cirurgia pediátrica e investigar associações.

6. Comparação de protocolos

Os protocolos da SBP, AAP, NICE, AEP, Oxford (Oxford Handbook), Harvard (Cloherty and Stark's) e do Ministério da Saúde do Brasil convergem nos pontos abaixo; as divergências são pontuais.

hérnia diafragmática, intubar e não ventilar com balão/máscara.

(variam por serviço e gravidade).

7. Critérios de internação

8. Complicações

hidroeletrolíticos.

9. Erros comuns

esôfago; não pesquisar VACTERL; subvalorizar o vômito bilioso.

10. Considerações finais — pontos-chave (ENAMED)

jejum.

Referências (ABNT NBR 14724)

1. CLOHERTY, J. P. et al. Manual de Neonatologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Emergências cirúrgicas neonatais. Documento Científico. 3. REBELO, M. et al. Oxford Handbook of Neonatology. 2. ed. Oxford: Oxford University Press. Última revisão de conteúdo: junho/2026. Confirme as diretrizes vigentes e as doses antes de publicar.

Casos clínicos (estilo ENAMED) Caso 1 RN a termo com salivação excessiva e engasgo/cianose às tentativas de alimentação; a sonda orogástrica não progride além de poucos centímetros.

Questão 1. Principal hipótese?

(A) Estenose hipertrófica do piloro (B) Atresia de esôfago (± fístula traqueoesofágica) (C) Refluxo gastroesofágico (D) Hérnia diafragmática (E) Atresia duodenal

Questão 2. Conduta inicial?

(A) Alimentar forçando a sonda (B) Sonda de aspiração contínua no coto, jejum e decúbito elevado; referenciar à cirurgia (C) Dieta oral fracionada (D) Apenas observação (E) Lavagem gástrica

Questão 3. Associação de malformações a pesquisar?

(A) CHARGE (B) VACTERL (C) Down isolada (D) Pierre Robin (E) Turner

Caso 2 RN com desconforto grave desde o nascimento, abdome escavado e MV reduzido à esquerda, com bulhas desviadas para a direita.

Questão 4. Diagnóstico mais provável?

(A) Pneumotórax simples (B) Hérnia diafragmática congênita (C) Taquipneia transitória (D) Atresia de esôfago (E) Cardiopatia cianótica

Questão 5. Erro a evitar na estabilização?

(A) Intubar precocemente (B) Ventilar com balão e máscara (distende estômago/alças) (C) Passar sonda gástrica (D) Controlar a temperatura (E) Hidratar por via venosa

Questão 6. Complicação respiratória da hérnia diafragmática?

(A) Bronquiolite (B) Hipoplasia pulmonar com hipertensão pulmonar persistente (C) Asma (D) Derrame pleural isolado (E) Atelectasia simples

Gabarito comentado Questão 1 — Resposta: B Salivação, engasgo e sonda que não progride caracterizam a atresia de esôfago. Questão 2 — Resposta: B Sonda de aspiração no coto, jejum e decúbito elevado, referenciando à cirurgia. Questão 3 — Resposta: B A atresia de esôfago integra a associação VACTERL. Questão 4 — Resposta: B Desconforto grave, abdome escavado, MV reduzido e bulhas desviadas indicam hérnia diafragmática congênita. Questão 5 — Resposta: B Evitar ventilar com balão e máscara, que distende o estômago/alças e piora a compressão — intubar. Questão 6 — Resposta: B A hérnia diafragmática cursa com hipoplasia pulmonar e hipertensão pulmonar persistente. Última revisão de conteúdo: junho/2026. Confirme as diretrizes vigentes e as doses antes de publicar.