Neonatologia · Respiratório

Doença da Membrana Hialina

Síndrome do desconforto respiratório do prematuro

1. Importância do tema na Pediatria

A doença da membrana hialina (síndrome do desconforto respiratório) é a principal causa de desconforto respiratório no prematuro; o risco é tanto maior quanto menor a idade gestacional. Tem grande impacto na morbimortalidade neonatal, e o corticoide antenatal e o surfactante mudaram sua história natural. É tema central das provas de Neonatologia.

2. Avaliação inicial

Prematuro com desconforto respiratório desde o nascimento, progressivo nas primeiras horas. Avaliar idade gestacional, intensidade do esforço (Silverman-Andersen), SatO₂ e necessidade de oxigênio/suporte.

3. Fisiopatologia aplicada

A deficiência de surfactante eleva a tensão superficial alveolar, causando colapso ao fim da expiração (atelectasia difusa). Resultam hipoxemia, redução da complacência e aumento do trabalho respiratório, com formação das membranas hialinas. Implicações no manejo: o CPAP precoce mantém a capacidade residual funcional; o surfactante repõe o agente deficiente; o corticoide antenatal acelera a maturação pulmonar.

4. Diagnóstico

Critérios clínicos Desconforto respiratório progressivo no prematuro (taquipneia, gemência, batimento de asa nasal, retrações, cianose) com necessidade crescente de oxigênio.

Exames essenciais

ExameAchado esperado
Radiografia de tóraxInfiltrado reticulogranular difuso (vidro fosco), broncogramas aéreos, volume pulmonar reduzido
GasometriaHipoxemia; com a evolução, hipercapnia e acidose
Hemograma/culturasEm geral normais; afastar infecção associada

5. Conduta e tratamento

1. 1 — CPAP nasal precoce na sala de parto para o prematuro que respira. 2. 2 — surfactante quando em CPAP ≥ 6 cmH₂O com FiO₂ > 0,30 (Consenso Europeu); preferir técnica menos invasiva (LISA/MIST). 3. 3 — cafeína, oxigênio titulado pela SatO₂, suporte; ventilação mecânica protetora quando necessária.

Doses (protocolo medicamentoso)

MedicaçãoDoseApresentaçãoObservações
Poractante alfa200 mg/kg (2,5 mL/kg); repetir 100 mg/kg se necessárioSuspensão 80 mg/mLLISA/MIST ou INSURE
Beractante100 mg/kg (4 mL/kg); repetir até 4 dosesSuspensão 25 mg/mLAlternativa
Citrato de cafeínaAtaque 20 mg/kg IV; manutenção 5–10 mg/kg/diaSolução 20 mg/mLReduz apneia e DBP
CorticoideBetametasona 12 mg IMAmpolas IMPrevenção (24–
antenatal2 doses; ou34 sem)
(materno)dexametasona 6 mg IM 12/12 h (4 doses)

As doses neonatais dependem do peso e das idades gestacional e pós-natal — confirme sempre em formulário neonatal (ex.: Neofax) e no protocolo da sua unidade antes de prescrever.

Fluxograma terapêutico (resumo)

6. Passo 1 — prematuro com desconforto → CPAP precoce.

7. Passo 2 — FiO₂ > 0,30 em CPAP ≥ 6 → surfactante (LISA/MIST).

3. Passo 3 — falha do CPAP → ventilação mecânica protetora + surfactante.

8. Comparação de protocolos

Os protocolos da SBP, AAP, NICE, AEP, Oxford (Oxford Handbook), Harvard (Cloherty and Stark's) e do Ministério da Saúde do Brasil convergem nos pontos abaixo; as divergências são pontuais.

resgate precoce e preferência por LISA/MIST.

INSURE × LISA; a profilaxia universal de surfactante foi abandonada quando há corticoide antenatal e CPAP.

9. Critérios de internação

10. Complicações

arterial; hemorragia peri-intraventricular; retinopatia da prematuridade.

11. Erros comuns

hiperóxia; ventilação mecânica agressiva.

12. Considerações finais — pontos-chave (ENAMED)

Referências (ABNT NBR 14724) 1. SWEET, D. G. et al. European Consensus Guidelines on the Management of Respiratory Distress

Syndrome: 2022 Update. Neonatology, v. 120, n. 1, 2023.

2. CLOHERTY, J. P. et al. Manual de Neonatologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Síndrome do desconforto respiratório / doença da

membrana hialina. Documento Científico.

Última revisão de conteúdo: junho/2026. Confirme as diretrizes vigentes e as doses antes de publicar.

Casos clínicos (estilo ENAMED) Caso 1 Prematuro de 28 semanas, 1.000 g, cuja mãe não recebeu corticoide antenatal, com desconforto desde o nascimento, em CPAP nasal (PEEP 6) e FiO₂ 0,40. Radiografia com vidro fosco e broncogramas aéreos.

Questão 1. Qual a conduta quanto ao surfactante?

(A) Não indicar, pois respira espontaneamente (B) Administrar — em CPAP ≥ 6 com FiO₂ > 0,30 há indicação; preferir LISA/MIST (C) Aguardar FiO₂ 1,0 (D) Trocar por Hood (E) Exsanguineotransfusão

Questão 2. Qual medida preventiva faltou?

(A) Sulfato de magnésio pós-parto (B) Corticoide antenatal (24–34 sem) (C) Antibiótico ao RN (D) Restrição hídrica materna (E) Cafeína à mãe

Questão 3. Dose inicial de poractante alfa para 1 kg?

(A) 50 mg (0,6 mL) (B) 100 mg (1,25 mL) (C) 200 mg (2,5 mL) (D) 400 mg (5 mL) (E) 25 mg (0,3 mL)

Caso 2 O mesmo prematuro permanece dependente de oxigênio e suporte na 36ª semana de idade pós-menstrual.

Questão 4. Essa evolução caracteriza qual complicação?

(A) Taquipneia transitória (B) Displasia broncopulmonar (C) Pneumotórax (D) Hipertensão pulmonar primária (E) Atelectasia simples

Questão 5. Achado radiológico característico da DMH inicial?

(A) Infiltrados grosseiros assimétricos (B) Vidro fosco com broncogramas e baixo volume (C) Hipertransparência com desvio (D) Cardiomegalia com congestão (E) Padrão em favo de mel

Questão 6. Técnica de surfactante preferida no RN sob CPAP?

(A) INSURE sempre (B) Menos invasiva (LISA/MIST) (C) Sonda gástrica (D) Intravenosa (E) Nebulização

Gabarito comentado Questão 1 — Resposta: B Em CPAP ≥ 6 com FiO₂ > 0,30 indica-se surfactante; no RN que respira, prefere-se LISA/MIST. Questão 2 — Resposta: B O corticoide antenatal (24–34 sem) é a principal prevenção. Questão 3 — Resposta: C Poractante 200 mg/kg → 1 kg = 200 mg (2,5 mL). Questão 4 — Resposta: B Dependência de O₂/suporte na 36ª semana de IPM define a DBP. Questão 5 — Resposta: B Padrão clássico: vidro fosco com broncogramas aéreos e baixo volume. Questão 6 — Resposta: B LISA/MIST é a técnica preferida no RN sob CPAP. Última revisão de conteúdo: junho/2026. Confirme as diretrizes vigentes e as doses antes de publicar.