Neonatologia · Malformações, Genética e Cirurgia

Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ)

Displasia do quadril no RN e lactente

1. Importância do tema na Pediatria

A displasia do desenvolvimento do quadril abrange desde a instabilidade até a luxação. O diagnóstico e o tratamento PRECOCES (suspensório de Pavlik) evitam sequelas graves (claudicação, artrose, encurtamento). O exame do quadril no RN e os fatores de risco são cobrança certa em puericultura e prova.

2. Avaliação inicial

Examinar o quadril de TODO RN (manobras de Ortolani e Barlow) e reavaliar nas consultas. Pesquisar fatores de risco: sexo feminino, apresentação PÉLVICA, história familiar, oligoâmnio e primogenitura. Sinais tardios: assimetria de pregas, limitação da abdução, sinal de Galeazzi (encurtamento aparente do fêmur).

3. Fisiopatologia aplicada

Há um espectro de instabilidade entre a cabeça femoral e o acetábulo, por frouxidão ligamentar e/ou acetábulo raso. A posição fetal (pélvica) e o espaço reduzido (oligoâmnio) favorecem; os hormônios maternos aumentam a frouxidão. Se a cabeça permanece fora/instável, o acetábulo não se molda adequadamente, perpetuando a displasia. Implicação: posicionar o quadril em flexão/abdução (Pavlik) favorece a contenção e a remodelação acetabular.

4. Diagnóstico

Manobras (no RN)

ManobraO que avalia
OrtolaniREDUZ um quadril luxado (sente-se o “clunk” de entrada)
BarlowLUXA/subluxa um quadril instável (provoca a saída)
Galeazzi / abduçãoSinais mais tardios (encurtamento aparente; limitação)

limitada

Imagem

ExameQuando / utilidade
Ultrassonografia do quadrilMétodo de escolha ATÉ ~4–6 meses (antes da
ExameQuando / utilidade ossificação); avalia instabilidade/displasia
Radiografia de baciaApós ~4–6 meses (núcleo de ossificação já visível)

5. Conduta e tratamento

1. 1 — RN/lactente jovem (< 6 meses) com instabilidade/luxação redutível: suspensório de PAVLIK (flexão e abdução), com acompanhamento ultrassonográfico. 2. 2 — falha do Pavlik ou diagnóstico mais tardio: redução fechada/aberta + gesso (espica), conforme a idade e a gravidade. 3. 3 — orientar o posicionamento (evitar enfaixar os membros inferiores em extensão/adução, que piora a DDQ).

Fluxograma (resumo)

1. Passo 1 — exame do quadril (Ortolani/Barlow) + fatores de risco em todo RN.

6. Passo 2 — alterado/risco → US (< 4–6 m) ou radiografia (> 4–6 m).

3. Passo 3 — instabilidade/luxação < 6 m → suspensório de Pavlik; falha/tardio → redução + gesso.

7. Comparação de protocolos

Os protocolos da SBP, AAP, NICE, AEP, Oxford (Oxford Handbook), Harvard (Cloherty and Stark's) e do Ministério da Saúde do Brasil convergem nos pontos abaixo; as divergências são pontuais.

fatores de risco; US até ~6 meses e RX depois; Pavlik como 1ª linha no lactente jovem.

risco) varia entre países/serviços.

8. Critérios de internação

cirúrgica/gesso conforme programação ortopédica.

9. Complicações

necrose avascular da cabeça femoral (sobretudo com abdução forçada).

10. Erros comuns

enfaixar os membros em extensão/adução; abdução forçada (risco de necrose avascular); não reavaliar nas consultas.

11. Considerações finais — pontos-chave (ENAMED)

Pontos-chave para residência e ENAMED

FAMILIAR, OLIGOÂMNIO, primogenitura.

o instável (sai). Sinais tardios: assimetria de pregas, abdução limitada, Galeazzi.

ossificação); RADIOGRAFIA só após ~4–6 meses.

abdução).

abdução FORÇADA causa necrose avascular.

Referências (ABNT NBR 14724) 1. AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. Clinical Practice Guideline: Detection and Management of

Developmental Dysplasia of the Hip.

2. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA / SBOT. Displasia do desenvolvimento do quadril.

Documento.

12. OXFORD Handbook of Paediatrics — DDH.

Última revisão de conteúdo: junho/2026. Confirme as diretrizes vigentes e as doses antes de publicar.

Casos clínicos (estilo ENAMED) Caso 1 RN do sexo feminino, nascida de apresentação pélvica, com história familiar de “problema no quadril”. Ao exame, a manobra que provoca a entrada do quadril com um “clunk” é positiva.

Questão 1. Qual manobra está descrita e o que indica?

(A) Barlow; quadril estável (B) Ortolani; redução de um quadril luxado (C) Galeazzi; normal (D) Adams; escoliose (E) Ortolani; quadril normal

Questão 2. Exame de imagem mais adequado nessa idade?

(A) Radiografia de bacia imediata (B) Ultrassonografia do quadril (C) Tomografia (D) Cintilografia (E) Ressonância com contraste

Questão 3. Tratamento de 1ª linha?

(A) Gesso imediato (B) Suspensório de Pavlik (flexão e abdução) (C) Cirurgia aberta (D) Apenas observação até 1 ano (E) Enfaixar em extensão

Caso 2 Lactente de 5 meses com assimetria de pregas e limitação da abdução de um quadril, não examinado ao nascer.

Questão 4. Qual exame de imagem é mais apropriado a partir de ~4–6 meses?

(A) Ultrassonografia (B) Radiografia de bacia (C) EEG (D) Cintilografia óssea (E) Nenhum

Questão 5. Qual prática de cuidado PIORA a displasia?

(A) Posicionar em flexão e abdução (B) Enfaixar os membros inferiores em extensão e adução (C) Usar o suspensório de Pavlik (D) Trocar fraldas normalmente (E) Carregar com as pernas abertas

Questão 6. Complicação do tratamento com abdução forçada?

(A) Necrose avascular da cabeça femoral (B) Hipoglicemia (C) Surdez (D) Catarata (E) Anemia

Gabarito comentado Questão 1 — Resposta: B O “clunk” de entrada é a manobra de Ortolani, que reduz um quadril luxado. Questão 2 — Resposta: B Até ~4–6 meses, a ultrassonografia é o exame de escolha. Questão 3 — Resposta: B O suspensório de Pavlik é a 1ª linha no lactente jovem. Questão 4 — Resposta: B A partir de ~4–6 meses, a radiografia de bacia é apropriada (núcleo de ossificação). Questão 5 — Resposta: B Enfaixar em extensão/adução piora a DDQ. Questão 6 — Resposta: A A abdução forçada pode causar necrose avascular da cabeça femoral. Última revisão de conteúdo: junho/2026. Confirme as diretrizes vigentes e as doses antes de publicar.