Neonatologia · Respiratório

Displasia Broncopulmonar (DBP)

Doença pulmonar crônica do prematuro

1. Importância do tema na Pediatria

A displasia broncopulmonar é a doença pulmonar crônica mais comum do prematuro, sobretudo do extremo baixo peso. Associa-se a reinternações por infecções respiratórias, hipertensão pulmonar e alterações do neurodesenvolvimento, com impacto a longo prazo.

2. Avaliação inicial

Prematuro com dependência persistente de oxigênio/suporte ventilatório; avaliar a necessidade de O₂ aos 28 dias e na 36ª semana de idade pós-menstrual, além de taquipneia, retrações e ganho ponderal.

3. Fisiopatologia aplicada

A “nova DBP” resulta da interrupção do desenvolvimento alveolar e vascular do pulmão imaturo, somada à lesão por oxigênio (estresse oxidativo), volutrauma/barotrauma, inflamação, infecção e persistência do canal arterial — resultando em menos alvéolos, maiores e mal vascularizados. Implicações: a prevenção (CPAP, ventilação gentil, cafeína, evitar hiperóxia) é mais eficaz que o tratamento.

4. Diagnóstico

Critérios clínicos Definição pela necessidade de O₂/suporte aos 28 dias e/ou na 36ª semana de idade pós-menstrual, com graus de gravidade.

Exames essenciais

ExameAchado
Radiografia de tóraxOpacidades difusas, áreas císticas e de hiperinsuflação (padrão heterogêneo)
Oximetria/gasometriaNecessidade de O₂; hipercapnia compensada
EcocardiogramaRastrear hipertensão pulmonar secundária

5. Conduta e tratamento

1. 1 — prevenção/base: CPAP e ventilação gentil, cafeína, evitar hiperóxia, fechar o canal arterial quando indicado. 2. 2 — oxigênio para a meta de saturação; diuréticos na congestão; corticoide (DART) em casos selecionados de difícil desmame. 3. 3 — broncodilatador se broncoespasmo; profilaxia para o VSR quando indicada; nutrição otimizada.

Doses (protocolo medicamentoso)

MedicaçãoDoseApresentaçãoObservações
Citrato de cafeínaAtaque 20 mg/kg IV; manutenção 5–10 mg/kg/diaSolução 20 mg/mLReduz apneia e a DBP
DexametasonaEsquema de 10 diasSolução injetávelCasos
(DART)(total ≈ 0,89 mg/kg) risco-benefício neurológicoselecionados;
Furosemida1 mg/kg/dose IV (até 2); VO 1–2 mg/kgSolução 10 mg/mLCursos curtos
HCTZ +HCTZ 1–2 mg/kg/doseSuspensão/Diurético mais
espironolactona12/12 h + espironolactona 1–1,5 mg/kg/diacomp.prolongado

As doses neonatais dependem do peso e das idades gestacional e pós-natal — confirme sempre em formulário neonatal (ex.: Neofax) e no protocolo da sua unidade antes de prescrever.

Fluxograma terapêutico (resumo)

6. Passo 1 — prevenir: CPAP, cafeína, evitar hiperóxia.

2. Passo 2 — estabelecida → O₂ para meta + diuréticos em fases de congestão. 3. Passo 3 — difícil desmame → corticoide (DART) selecionado; rastrear HP.

7. Comparação de protocolos

Os protocolos da SBP, AAP, NICE, AEP, Oxford (Oxford Handbook), Harvard (Cloherty and Stark's) e do Ministério da Saúde do Brasil convergem nos pontos abaixo; as divergências são pontuais.

antenatal); corticoide pós-natal apenas selecionado; profilaxia para o VSR.

anteriores) e o esquema/indicação do corticoide pós-natal; duração dos diuréticos.

8. Critérios de internação

domiciliar em casos selecionados, com seguimento.

9. Complicações

sibilância/asma e alterações do neurodesenvolvimento.

10. Erros comuns

indicação; não rastrear a hipertensão pulmonar.

11. Considerações finais — pontos-chave (ENAMED)

O₂/ventilação/inflamação.

Referências (ABNT NBR 14724) 1. JENSEN, E. A. et al. The Diagnosis of Bronchopulmonary Dysplasia in Very Preterm Infants. Am J

Respir Crit Care Med, 2019.

12. DOYLE, L. W. et al. Low-dose dexamethasone (DART). Pediatrics, 2006.

3. CLOHERTY, J. P. et al. Manual de Neonatologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. Última revisão de conteúdo: junho/2026. Confirme as diretrizes vigentes e as doses antes de publicar.

Casos clínicos (estilo ENAMED) Caso 1 Prematuro extremo (25 semanas ao nascer), com ventilação e oxigênio prolongados, permanece na 36ª semana de idade pós-menstrual dependente de oxigênio, com taquipneia e retrações leves.

Questão 1. Qual o diagnóstico e o critério que o define?

(A) Pneumonia; febre (B) Displasia broncopulmonar; necessidade de O₂/suporte aos 28 d e/ou na 36ª semana de IPM (C) Asma do lactente; sibilância (D) Cardiopatia; sopro (E) Fibrose cística; suor positivo

Questão 2. Qual conjunto tem maior impacto na PREVENÇÃO?

(A) Antibiótico contínuo e restrição hídrica severa (B) Corticoide antenatal, CPAP/ventilação gentil, cafeína e evitar hiperóxia (C) O₂ em alta concentração (D) Sedação profunda (E) Transfusões profiláticas

Questão 3. Medicação que reduz apneia e a própria DBP, e dose?

(A) Furosemida 1 mg/kg única (B) Citrato de cafeína — ataque 20 mg/kg + manutenção 5–10 mg/kg/dia (C) Dexametasona 1 mg/kg/dia por 30 dias (D) Salbutamol contínuo (E) Espironolactona isolada

Caso 2 O mesmo paciente apresenta grande dificuldade de desmame do suporte ventilatório, com piora persistente.

Questão 4. Sobre o corticoide sistêmico (DART), qual a afirmativa correta?

(A) Usar em todos de rotina (B) Reservado a casos selecionados de difícil desmame; uso pós-natal exige avaliação do risco-benefício neurológico (C) Contraindicado sempre (D) Substitui cafeína e CPAP (E) Manter por 60 dias

Questão 5. Complicação a rastrear com ecocardiograma na DBP grave?

(A) CIA isolada (B) Hipertensão pulmonar secundária (C) Estenose aórtica

(D) Miocardite (E) Pericardite

Questão 6. Medida de proteção respiratória após a alta?

(A) Profilaxia para o VSR quando indicada (B) Corticoide oral contínuo (C) Antibiótico permanente (D) Restrição de aleitamento (E) O₂ em alta concentração em casa

Gabarito comentado Questão 1 — Resposta: B DBP é definida pela necessidade de O₂/suporte aos 28 dias e/ou na 36ª semana de IPM. Questão 2 — Resposta: B A prevenção combina corticoide antenatal, CPAP/ventilação gentil, cafeína e evitar hiperóxia. Questão 3 — Resposta: B Cafeína (ataque 20 mg/kg; manutenção 5–10 mg/kg/dia) reduz apneia e a DBP. Questão 4 — Resposta: B O corticoide pós-natal (DART) é reservado a casos selecionados, com avaliação do risco-benefício neurológico. Questão 5 — Resposta: B A DBP grave pode cursar com hipertensão pulmonar secundária — rastrear com ecocardiograma. Questão 6 — Resposta: A A profilaxia para o VSR reduz internações graves nesses lactentes. Última revisão de conteúdo: junho/2026. Confirme as diretrizes vigentes e as doses antes de publicar.